quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A direita e as esquerdas

A direita brasileira ainda não chegou a lugar nenhum e já caminha a passos largos para implodir, perdida numa guerra de egos. Pior, as batalhas tomam por semelhantes quem é absolutamente diferente e críticas são dirigidas a um fogo amigo que não há. PSDB não é direita e seus representantes, na política ou nas redações (os tradicionais e os estreantes) têm como mérito a ser agora considerado o fato de combaterem o PT, apenas. O fogo amigo é deles, entre a conhecida esquerda radical e uma convenientemente recém-forjada esquerda democrática, mas todos de esquerda.

Hoje, no Brasil, a direita só tem um representante com expressão política, e isso é fato. O que não garante que a retirada dos atuais governantes do poder vá se dar, obrigatoriamente, com ele. Sendo essa retirada o objetivo, as estratégias podem ser várias, e a única viável pode vir a ser a opção entre o ruim e o péssimo, como na última eleição. O que precisa ficar claro é quem é cada uma das peças, sob pena de se achar correto chamar de "coxinha" alguém que vota num partido que tem como expoente o Aloysio Nunes Ferreira, aquele que afirmou ao Gentili que "o PSDB é mais de esquerda do que o PT".

Como ideal de direita, agora, seria perfeito desconstituir a falsa imagem liberal dos tucanos e viabilizar a ascensão de um Bolsonaro, por exemplo, mas o radicalismo nesse propósito joga contra, podendo gerar forte resistência. Vejam o que ocorre nos EUA, onde a maior esperança republicana está em Donald Trump (para desespero da CNN) e o maior problema também.

Dante escreveu que os lugares mais quentes no inferno são reservados aos que ficam neutros nos momentos de crise. Perfeito, mas não ser neutro não é ser extremista. Ser contra algo que aí está também é tomar partido e pode ter muito mais eficácia do que buscar um dos polos opostos. Que me perdoe Ayn Rand, mas o caminho pode ser pelo meio, principalmente se o objetivo for virar à direita na primeira esquina.

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