sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Complexo de vira-lata?

Essa semana o presidente estadunidense Barack Obama impôs ao país algumas novas restrições à posse de armas. Nada perto de desarmamento - como pareceu pelo frenesi causado em alguns setores da mídia por aqui -, mas apenas novas checagens e licenças  para a venda. Para tanto, Obama atropelou o Congresso, onde não tem apoio para sua sanha desarmamentista, deixando de lado o processo legislativo e se valendo de chamadas "ordens executivas", algo como um misto dos decretos e medidas provisórias que temos por aqui.

Independentemente do tema envolvido, a manobra de Obama é um claro ataque institucional ao Congresso, pois tenta, sobrepondo-o, impor uma deliberação unilateral. Logo, natural que os congressistas, quaisquer que sejam, se indignem com isso, especialmente pelo ataque que representa à própria democracia. 

Porém, como o natural no Brasil é sinônimo de surreal, o "rolo compressor" obâmico (com o perdão do neologismo) encontrou fãs no Congresso, especialmente na Câmara dos Deputados, onde o parlamentar Marcus Pestana (PSDB/MG) usou seu perfil no Facebook para elogiar a conduta do presidente e, mais, tomá-la como exemplo.


A postura do parlamentar é vergonhosa. Não há como se admitir que o integrante de uma Casa Legislativa aplauda o desrespeito a qualquer delas. O PSDB, inclusive, diz-se de oposição ao atual Governo, votando contra diversas das iniciativas por ele encaminhadas ao Legislativo. Já imaginaram se a Presidente resolve fazer, para as questões sobre as quais enfrenta dificuldade, o mesmo que Obama fez por lá? Será que o Deputado também aplaudiria?

Desarmamento também é uma das bandeiras do PSDB. Foi com esse partido que surgiram as primeiras restrições à posse de armas no País, em 1997, e também com ele que se tentou a mais radical manobra contra ela, através da Medida Provisória nº 2.029/00, da lavra do então Presidente Fernando Henrique Cardoso e que, de tão absurda, foi derrubada pelo STF em poucos dias. Talvez o Deputado tenha saudade de FHC, ou talvez entenda que, nos EUA, o Presidente sabe mais do que a daqui e que o próprio parlamento. Será?

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