quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Mauricio Macri e os hospitais públicos - ou "o tango flertando com o samba"

O presidente argentino, Mauricio Macri, usará apenas hospitais da rede pública durante seu mandato. A informação é do jornal "La Nacion", veiculada nessa quinta-feira. Para grande parte dos segmentos oposicionistas brasileiros, um exemplo contra o paradoxal elitismo do ex-presidente Lula, que deixava o sistema de saúde pública se deteriorando enquanto se tratava no Sírio Libanês, um dos hospitais mais caros do país.

O início do mandato Macri tem sido avassalador. Ele tem encarnado uma espécie de John Galt¹ sul-americano e, em menos de um mês, já rompeu com o proselitismo socialista e abalou as estruturas populistas que sustentaram o kirchnerismo. Os resultados iniciais, ainda que muito mais especulativos do que fundamentados, têm sido positivos. Mas, no caso dos hospitais, Macri parece ter errado o passo do tango.

Maurício Macri é um bem-sucedido empresário, que chegou à presidência com a bandeira liberal. Não se vale do apelo de operário humilde que, após passar fome e sofrer com a seca no sertão, alcançou, como seu primeiro diploma, logo o de chefe do Poder Executivo. Ele não precisa "ser povão" para absolutamente nada, o que inclui se tratar na rede pública, quando já chegou à presidência com uma condição social que lhe permite escolher como bem queira seus médicos e hospitais.

Usar, desnecessariamente, o roteiro do "viver como vive o povo" não aparenta ser uma legítima estratégia liberal. Soa como demagogia, que combinaria com o próprio Lula, ou com Maduro, pois fica a um passo do populismo, que é tudo do que a Argentina precisa se libertar.

Tomara que tenha sido só uma nota errada no Tango do presidente, pois nele estão depositadas as esperanças liberais de todo um continente. E isso inclui o país do samba atravessado.

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¹ John Galt é o personagem principal do livro "A Revolta de Atlas", da escritora russo-americana Ayn Rand, tido como uma obra-prima da racionalidade.

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