quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Enviesada tática de terra arrasada

Em recente análise política, Rodrigo Constantino abordou a estratégia tucana em evitar ações radicais no atual momento político, preferindo deixar as coisas irem piorando gradativamente para, em 2018, não  haver qualquer chance de o PT se manter no governo. No texto, o analista, com habitual precisão, alerta para o risco da estratégia, pois, com ela, é possível que em 2018 só restem as ruínas do que já foi um país.

A questão, todavia, parece ir além das meras estratégias eleitorais. Ela passa por uma latente covardia administrativa dos tucanos, que, muito pouco propositivos em sua agenda social-democrata (algo que agora chamam de "esquerda democrática"), esperam a instauração do caos para, assumindo o país sob sua vigência, ficarem isentos de qualquer cobrança por não conseguirem sair dele. Algo no melhor e mais autêntico estilo Tiririca, com o seu "pior não fica", ou uma espécie de tática de terra arrasada às avessas, em que é a própria vítima que espera a destruição do que lhe será legado.

A covardia é traço indelével dos tucanos, conhecidos pela adoração a muros, pela recalcitrante letargia em tomar posições firmes em momentos de crise. A eles, a ideologia de Dante Alighieri já reserva a parte mais quente do inferno, mas o preço pode ser pago bem antes de chegarem ao "andar de baixo".

Com a manutenção da neutralidade tucana, em detrimento dos grandes embates, abre-se espaço para que novos personagens entrem em cena, inclusive deixando papéis coadjuvantes e assumindo o protagonismo pelo simples fato de manterem um discurso firme. A ascensão do deputado Jair Bolsonaro é a comprovação cabal disso, e ela vem num ritmo em que bastam uma ligeira polidez maior e a ausência de escândalos para se tornar irrefreável.

Daí a explicação para a indisfarçável preocupação dos PSDBistas em desconstituir Bolsonaro, especialmente pela ação das redações de jornais, revistas e, agora, até a TV, todos com aquela postura "meio intelectual, meio de esquerda". E nem assim a técnica muda. 

Assumir o protagonismo? Jamais. Vamos sabotar o mocinho para ver se a beldade sobra para o mordomo divertido. Mas, salvo nas produções dos Trapalhões, não é assim que costumam terminar os filmes. Sorte de Bolsonaro.

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