terça-feira, 24 de maio de 2016

Fantasia Global

Não é novidade que o jornal O Globo tem postura amplamente desarmamentista, o que há muito vem comprometendo sua isenção ao falar sobre armas, criminalidade e violência. Porém, mesmo para as publicações com postura ideológica definida, há condutas que extrapolam qualquer absurdo, demonstrando um grosseiro e reprovável desapego para com a realidade.

Foi exatamente o que aconteceu com o editorial de opinião veiculado na edição desta terça-feira (24), sob o título "Violência Cresce com Descaso no Controle de Armas". Nele, afirma-se que "no Rio, 86% do armamento em mãos da criminalidade tem origem legal, dado que deve se reproduzir em todo o país". 


Nada, porém, é mais falso. A realidade, flagrantemente deturpada na matéria, é exatamente oposta ao ali registrado. 

O que se apurou na CPI das Armas da ALERJ, em apresentação realizada pela própria Secretaria Estadual de Segurança Pública, comandada pelo também desarmamentista José Mariano Beltrame, foi que 86% das armas apreendidas não tiveram a origem identificada

A farsa global pode ser facilmente constatada ao se assistir ao vídeo da audiência pública da referida CPI, quando houve a apresentação dos dados:


Ter uma linha editorial com viés definido é uma coisa, mentir deslavadamente para seus leitores é outra, completamente diferente. É desonestidade, pura e simples.


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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Quem precisa fazer alguma coisa é VOCÊ!

Duas ocorrências violentas no Rio de Janeiro marcaram o final da semana passada. Em mais um dos já incontáveis arrastões no trânsito da cidade, a jovem Ana Beatriz Frade, de 17 anos, foi cruelmente assassinada por um criminoso, enquanto ia buscar sua mãe no aeroporto. Em outro episódio, mais um policial, um sargento da Polícia Militar, foi morto durante uma operação no Jacarezinho. Nos dois casos, o retrato de uma sociedade estafada com a violência.


A morte da jovem estudante causou óbvia comoção. Não é possivel, de fato, admitir a perda de uma vida humana que nem sequer saiu da adolescência pela ação de um facínora covarde, que ao longo de sua existência, sob a visão leniente de um vitimismo insano, somente acumulou o mal, em seu mais puro e odioso conceito. 

Nas redes sociais, onde os desabafos se multiplicaram, a demonstração de insuportabilidade da realidade de insegurança era acompanhada de um lacônico pedido de socorro: "alguém precisa fazer alguma coisa". O "alguém" clamado pelos que se manifestavam, conscientemente ou não, voltava-se a alguma representação estatal, pois, afinal, é do Estado o dever de prover a segurança pública. Só que nisso o Estado faliu.

No sábado, no enterro do sargento, o Secretário de Segurança Pública de Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, subiu o tom para dizer que "quem atirar na polícia vai tomar tiro também". Ele está certo, não se reage a tiros com pombinhas brancas, e isso já deveria ser tomado como óbvio. Mas, e quem atirar no cidadão, como no carro em que estava a jovem assassinada? Quem vai defender o cidadão que toma tiro?

Há mais de um ano, em fevereiro de 2015, o próprio Beltrame, enquanto enterrava quatro policiais mortos, era o retrato da impotência frente aos bandidos, e, desanimado, parecia também pedir socorro, ao afirmar que "a polícia está sozinha no combate ao crime". É verdade, e o secretário é um dos grandes responsáveis por isso.

Apesar de todos os sucessivos exemplos que colhe de perto quanto ao fracasso do modelo atual, ele segue vendo o cidadão como inimigo, e não como aliado, defendendo ferozmente políticas de desarmamento que impedem o acesso daquele a meios eficazes de defesa. E, não defendendo sequer a si próprio, jamais poderá o cidadão auxiliar a polícia, como parece querer um contraditoriamente perdido secretário.

A questão é que a polícia também não dá mais conta de defender nem a si própria. Até para fazer o óbvio - atirar de volta ao ser atacada por disparos - é preciso avisar em tom de ameaça, na esperança de que os bandidos tenham medo e não ataquem. Se atacarem, são os cadáveres de farda que se acumularão.

Portanto, cidadão, se realmente deseja que esse dantesco quadro criminal em que vivemos seja revertido, não é "alguém" que tem que fazer alguma coisa, é "você". E um bom começo é lutar para quem atirar em qualquer um que seja, policial ou não, receba tiros também. Ou se assume essa postura, ou seguiremos enterrando vítimas dos criminosos e deixando pueris desabafos em timelines de redes sociais. Não há mais espaço para meio-termo - como, aliás, em qualquer guerra.

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sexta-feira, 6 de maio de 2016

O Maquiavélico Afastamento de Eduardo Cunha pelo STF

Sem lastro normativo, muito menos constitucional, a decisão do STF de afastar o presidente da Câmara dos Deputados se revela casuística, só podendo ser positivada pela concepção de que os fins justificam os meios.

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Confira meu novo artigo para o Jus:


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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Temer não é candidato e não estamos em eleição.

É mais do que evidente a adoção da "tática de terra arrasada" pela presidente Dilma, buscando fazer o maior estrago possível no país antes de deixar o cargo. Porém, é preciso se ater aos fatos, para não dar uma dimensão de catástrofe ao que não tem.

Todos os atos praticados por decreto (ato unilateral da Chefia do Executivo) podem ser desfeitos exatamente da mesma forma que implementados. Dilma fez besteira? Temer vai lá e revoga. Simples.

E, embora considere a saída do petralhismo do poder algo absolutamente urgente e necessário, é bom os incautos pararem de rotular o "mordomo de filme de terror" como a salvação do país ou "um novo Macri". Não passa nem perto disso.

Temer assumirá a presidência comprometido ao extremo com uma base de apoio inchada, que sabe fazer o que mais se faz na política brasileira: vender (caro) esse apoio. Não por outra razão, já fala que será difícil reduzir os ministérios como queria, já cogita o retorno temporário da CPMF e já baixou muito o tom com o enxugamento da máquina pública.

Não há o que se fazer agora. A política brasileira é um enorme balcão de negócios, e isso não será mudado de uma hora para a outra, sobretudo com um gestor que não é de direita - e isso precisa ficar muito claro.

O ponto agora é a saída de um esquema criminoso que afundou o país em prol de um populismo irresponsável, a serviço de um plano de poder perpétuo. Temer é um substituto eventual, que chegou onde está junto com o petralhismo (não se pode esquecer disso). Não é uma opção de oposição ao governo e muito menos estamos em qualquer tipo de eleição - discurso, aliás, que só beneficia o próprio PT.

Um passo de cada vez. O máximo que se conseguirá agora é tirar o país da UTI, mas o tratamento ainda será longo até a alta. E os remédios costumam ser amargos.

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