segunda-feira, 2 de maio de 2016

Temer não é candidato e não estamos em eleição.

É mais do que evidente a adoção da "tática de terra arrasada" pela presidente Dilma, buscando fazer o maior estrago possível no país antes de deixar o cargo. Porém, é preciso se ater aos fatos, para não dar uma dimensão de catástrofe ao que não tem.

Todos os atos praticados por decreto (ato unilateral da Chefia do Executivo) podem ser desfeitos exatamente da mesma forma que implementados. Dilma fez besteira? Temer vai lá e revoga. Simples.

E, embora considere a saída do petralhismo do poder algo absolutamente urgente e necessário, é bom os incautos pararem de rotular o "mordomo de filme de terror" como a salvação do país ou "um novo Macri". Não passa nem perto disso.

Temer assumirá a presidência comprometido ao extremo com uma base de apoio inchada, que sabe fazer o que mais se faz na política brasileira: vender (caro) esse apoio. Não por outra razão, já fala que será difícil reduzir os ministérios como queria, já cogita o retorno temporário da CPMF e já baixou muito o tom com o enxugamento da máquina pública.

Não há o que se fazer agora. A política brasileira é um enorme balcão de negócios, e isso não será mudado de uma hora para a outra, sobretudo com um gestor que não é de direita - e isso precisa ficar muito claro.

O ponto agora é a saída de um esquema criminoso que afundou o país em prol de um populismo irresponsável, a serviço de um plano de poder perpétuo. Temer é um substituto eventual, que chegou onde está junto com o petralhismo (não se pode esquecer disso). Não é uma opção de oposição ao governo e muito menos estamos em qualquer tipo de eleição - discurso, aliás, que só beneficia o próprio PT.

Um passo de cada vez. O máximo que se conseguirá agora é tirar o país da UTI, mas o tratamento ainda será longo até a alta. E os remédios costumam ser amargos.

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