terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Qual a profundidade do poço em que estamos?

As frases apocalípticas nunca estiveram tão presentes no cotidiano do brasileiro. Nas conversas mais informais não tarda a aparecerem expressões como "a coisa está feia", "o país quebrou" ou "ainda vai piorar". Não é para menos, pois as recentes notícias não são nada animadoras. Ao contrário, a cada dia são novas informações sobre falências, desativações, reduções de salário, lay-offs, inflação em dois dígitos e etc., compondo um cenário novo para um povo que vinha cegamente acreditando viver no país de um futuro que nunca chegava.

A Continental faliu, a Azul está devolvendo aviões e encerrando rotas, a Ford desativando turnos e já chegam a 100 mil as empresas que fecharam as portas desde 2015. No supermercado, já faltam produtos e marcas, e até no fast food as opções nas lojas franqueadas são reduzidas. Somam-se a isso estados e municípios sem orçamento sequer para pagar pessoal. A crise está instalada e ela é séria, mas o fato é que ninguém sabe ainda o quanto.

Os sucessivos erros governamentais nos últimos anos, insistindo numa fórmula que não dá certo no mundo desde 1917 e que toma por base uma circulação de riqueza fictícia, para distribuir algo que ninguém produziu, causaram uma gama de estragos ainda imensurável. O quadro é simplesmente inédito e por isso qualquer previsão é apenas uma suposição.

O país nunca esteve tão mal. Pior do que isso, nunca esteve tão perdido, pois não há uma única ação tomada que tenha potencial para reverter o declínio. Tudo que se faz resulta no agravamento ainda maior da crise, especialmente porque há uma imensa resistência a cortes na própria máquina pública, que, se for desaparelhada, pode colocar em risco o projeto de poder atualmente em curso. E para este não há limites, pois o país é só o instrumento para a satisfação de interesses pessoais.

Nem mesmo as bandeiras populistas se sustentam mais. A classe C sumiu dos aeroportos, a venda de carros populares nunca foi tão baixa e o consumo do varejo caiu pela primeira vez em 15 anos, dando bem a dimensão de que a crise é sentida por todos, especialmente as classes mais baixas. Não demora e o PT vai devolver à miséria os 40 milhões que diz ter tirado de lá, só que agora será verdade.

Ainda mais assustador do que não saber a dimensão do que está acontecendo é não ter perspectiva de como sair desse buraco. As ideias da autoproclamada oposição não diferem muito da fórmula socialista agora implementada, como se na área econômica só existissem duas opções: a esquerda e a extrema esquerda. Está errado. A saída é pelo lado oposto e não precisa ir longe para ver isso. A Argentina, "aqui do lado", demonstrou que em pouco tempo é possível mudar o rumo das coisas. O problema é que nos falta um Macri - e também uma população menos mentalmente debilitada por programas populistas de destruição da própria lógica.

O buraco parece é não ter fundo.


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