domingo, 3 de abril de 2016

Radicalizando a anticultura.

Até outro dia eu insistia em separar o talento dos artistas brasileiros de seus posicionamentos político-ideológicos, por mais tacanhos que fossem. Isso me permitia achar que Wagner Moura só fala besteira sobre política, mas não impedia que assistisse aos seus filmes. Também era possível entender que Chico Buarque é um ser extremamente hipócrita em sua postura ideológica e, ao mesmo tempo, ouvir suas músicas - Baticum povoou minha adolescência e esse "vírus" me acompanhava por diversos anos. Mas não dá mais.

A partir do momento que esses indivíduos rouanistas (os mamadores na tetas do Estado, via Lei Rouanet) se valem da sua condição de artistas talentosos para tentar lobotomizar seus fãs no campo político, como vêm fazendo, me dão o igual direito de não prestigiá-los em seus ofícios por discordar de seus posicionamentos. Chega. A desonestidade intelectual desse pessoal extrapolou todos os limites - e olha que superar Jean Willys fantasiado de Che Quer Vara Guevara não é fácil.

Por isso, de agora em diante, nem de graça me permito dar "Ibope" a essa horda de venais de intelecto a troco de benefícios fiscais para bancar suas obras. Não ouço mais Chico (nem quando estiver em Paris, onde ele mora), não assisto mais Wagner, muito menos a Letícia Mortadela. Radicalizei. Se apoiam o governo, não gosto mais. "Estou de mal". Não vou invadir a casa de ninguém, botar fogo em escritórios ou convocar um exército paramilitar para acabar com eles. Apenas não terão minha audiência. Ponto.

Como já venho dizendo há tempos, o momento é crise moral extrema, e em momentos de crise a neutralidade é só a reserva para a parte mais quente do inferno, como já alertava Dante. Que fiquem os sem caráter por lá, não eu. 


PS.: Não falei dos "ícones" Tico Santa Cruz e Gregório Duvivier porque seria covardia. Esses eu já não ouvia ou assistia desde há muito, por pura falta de talento. Chatice, mesmo.

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