segunda-feira, 9 de maio de 2016

Quem precisa fazer alguma coisa é VOCÊ!

Duas ocorrências violentas no Rio de Janeiro marcaram o final da semana passada. Em mais um dos já incontáveis arrastões no trânsito da cidade, a jovem Ana Beatriz Frade, de 17 anos, foi cruelmente assassinada por um criminoso, enquanto ia buscar sua mãe no aeroporto. Em outro episódio, mais um policial, um sargento da Polícia Militar, foi morto durante uma operação no Jacarezinho. Nos dois casos, o retrato de uma sociedade estafada com a violência.


A morte da jovem estudante causou óbvia comoção. Não é possivel, de fato, admitir a perda de uma vida humana que nem sequer saiu da adolescência pela ação de um facínora covarde, que ao longo de sua existência, sob a visão leniente de um vitimismo insano, somente acumulou o mal, em seu mais puro e odioso conceito. 

Nas redes sociais, onde os desabafos se multiplicaram, a demonstração de insuportabilidade da realidade de insegurança era acompanhada de um lacônico pedido de socorro: "alguém precisa fazer alguma coisa". O "alguém" clamado pelos que se manifestavam, conscientemente ou não, voltava-se a alguma representação estatal, pois, afinal, é do Estado o dever de prover a segurança pública. Só que nisso o Estado faliu.

No sábado, no enterro do sargento, o Secretário de Segurança Pública de Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, subiu o tom para dizer que "quem atirar na polícia vai tomar tiro também". Ele está certo, não se reage a tiros com pombinhas brancas, e isso já deveria ser tomado como óbvio. Mas, e quem atirar no cidadão, como no carro em que estava a jovem assassinada? Quem vai defender o cidadão que toma tiro?

Há mais de um ano, em fevereiro de 2015, o próprio Beltrame, enquanto enterrava quatro policiais mortos, era o retrato da impotência frente aos bandidos, e, desanimado, parecia também pedir socorro, ao afirmar que "a polícia está sozinha no combate ao crime". É verdade, e o secretário é um dos grandes responsáveis por isso.

Apesar de todos os sucessivos exemplos que colhe de perto quanto ao fracasso do modelo atual, ele segue vendo o cidadão como inimigo, e não como aliado, defendendo ferozmente políticas de desarmamento que impedem o acesso daquele a meios eficazes de defesa. E, não defendendo sequer a si próprio, jamais poderá o cidadão auxiliar a polícia, como parece querer um contraditoriamente perdido secretário.

A questão é que a polícia também não dá mais conta de defender nem a si própria. Até para fazer o óbvio - atirar de volta ao ser atacada por disparos - é preciso avisar em tom de ameaça, na esperança de que os bandidos tenham medo e não ataquem. Se atacarem, são os cadáveres de farda que se acumularão.

Portanto, cidadão, se realmente deseja que esse dantesco quadro criminal em que vivemos seja revertido, não é "alguém" que tem que fazer alguma coisa, é "você". E um bom começo é lutar para quem atirar em qualquer um que seja, policial ou não, receba tiros também. Ou se assume essa postura, ou seguiremos enterrando vítimas dos criminosos e deixando pueris desabafos em timelines de redes sociais. Não há mais espaço para meio-termo - como, aliás, em qualquer guerra.

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